terça-feira, 10 de junho de 2014

Como fugir da histeria da Copa

POR XICO SÁ - Folha SP - 07/05/14  20:21

Foi somente a convocação dos 23 nomes da Seleção Brasileira e a histeria copeira já veio para ficar. Invadiu programas de variedades na televisão, atrasou o almoço na firma e fez o porteiro esquecer, ao relento, a moradora mais gostosa do prédio, logo a sósia da Isadora Ribeiro –isso foi fato aqui em Copacabana.

Curto a barulheira, sou cronista esportivo da “Folha” e participo do “Redação Sportv”, programa que discute como a imprensa enxerga o jogo e a cultura do futebol.  É prazer e também trabalho.

Até ai tudo bem, mas o oba-oba espetacularizado de hoje, a mais de um mês ainda do evento, me fez lembrar dos amigos que não gostam de futebol.

Aqueles que sofrem verdadeiro bullying, desde a escola, por não se envolverem com a modalidade esportiva.

Estão ferrados.

Valéria e o marido Hugo vão fugir para a Califórnia. Têm grana, planejaram a fuga e até tentaram evitar que o filho colecionasse as figurinhas –batalha perdida, obviamente, se um álbum seduz um adulto, imagina uma criança.

De qualquer forma, o casal vai cair fora. E os amigos mais lisos que bunda de índio, que não têm grana para viagens de fuga, como escapar?

Até os seus bares prediletos estarão tomados pelas hordas de fanáticos.

E quem não pode, de forma alguma, deixar de bater o ponto?

Se pelo menos o camarada estiver disposto a ir aos protestos, vá lá, não precisa ver jogo algum, hasteia a bandeira #naovaitercopa e volta de alma lavada para casa. E em paz. Tomara.

Se pelo menos o sujeito, como o meu estimado corvo Edgar, adora secar o escrete canarinho, ainda se diverte com a perversão do agouro.

Caso contrário…. Vida dura a de quem não curte futebol nesse momento. Como escapar da festa cheia de miniblusas canarinhas, shortinhos, bolão dos amigos, caipirinha e acepipes planejadíssimos?

Realmente uma desgraça para quem odeia a tal da “Pátria em chuteiras” do conceito de Nelson Rodrigues.

Que fazer, caro Vladimir?

Fugir do futebol em tempos normais é moleza, embora uma noite ou outra os gritos de “chupa gambá”, “chupa bambi’, “chupa porco” atrapalhem o sono, o filme-cabeça ou o seriado cult da temporada.

A fuga dessa maratona vai ser uma gincana que requer força física, alguma grana e muita criatividade. Até lá na tribo dos Zo´é, povo quase isolado nas selvas do Pará, corre o risco de ter Copa –o fotógrafo Rogério Assis, autor de um belo livro sobre estes índios que o diga.

Só se for para mosteiros budistas, amigo. Em conventos católicos, não recomendo. Como constatei em reportagens em 2010, até a mais religiosa das carmelitas descalças sai do retiro espiritual para ver a seleção de Neymar e companhia.

Realmente preocupado com quem vive o pânico da Copa, apelo: caríssimo leitor, qual sua ideia de rota de fuga? Colabore com este serviço de utilidade pública.

segunda-feira, 9 de junho de 2014

Como sobreviver à Copa quando você não curte futebol

Por Luanda Lima, Blog Lua na Rua, em 20/06/2010

Desde 11 de junho que não se fala em outra coisa. De repente, palavras como jabulani e vuvuzela parecem ter se infiltrado no vocabulário de todos, do cobrador do ônibus aos colegas de trabalho. Além de Dunga, de repente o país ganhou 190 milhões de técnicos de futebol. É um tal de gente comentando com propriedade sobre países distantes que desconhecia até dois minutos atrás, gritos ensurdecedores e um patriotismo jamais visto antes em qualquer campanha presidencial. Qualquer pessoa minimamente observadora sabe que, ao ver alguém na rua vestindo blusa do Brasil, só existem três explicações possíveis:

a) É gringo
b) É Copa
c) É gringo e é Copa

Dessa vez, como tudo em volta nos lembra incessantemente, estamos na décima nona edição da Copa do Mundo, que vai até o dia 11 de julho. E o futebol é tão importante no cotidiano e na cultura do brasileiro que, quando a seleção joga, o país para. É comum encontrar universidades e escolas que liberem os alunos e empresas que deixem seus funcionários e estagiários livres nos dias de jogo. Então, é aí que todos deixam seus afazeres de lado para acompanhar atentamente os dribles e passes de bola, se emocionando a cada gol.

Quer dizer, todos, menos os infelizes que não ligam pra futebol e calharam de nascer justo aqui. Os párias sociais que cometeram o gravíssimo crime de não ver a menor graça em um bando de marmanjos correndo enlouquecidos atrás de uma bola. Os malditos brasileiros desprovidos de patriotismo, que não completaram álbum de figurinha, não fazem lá muita questão de saber o que é um impedimento e nem sentem culpa por não saber a escalação da equipe paraguaia.

São aquelas pessoas que ficam felizes em sair mais cedo do trabalho, mas têm que conviver com a ideia de que, se não assistirem ao jogo, vão ficar quase duas horas sem ter o que fazer nem com quem fazer (isso se não levarmos em conta o pós-jogo). São os indivíduos que, quando resolvem sucumbir à pressão coletiva, passam as partidas desenhando no guardanapo, repassando mentalmente a matéria da prova de quarta-feira ou pesquisando assuntos aleatórios na internet via celular. 

O jornalista Rodolfo Viana, meu amigo e colega de profissão, sabe como é isso. "Sobreviver à Copa é bem difícil no país do futebol, porque o Brasil para. Lá na redação, cessamos os textos a dois minutos da partida. Alguém liga a TV e todos se postam em frente dela. Eu tento continuar trabalhando, mas onde estão os assessores? As fontes? As pessoas? Tudo para, mesmo que você não queira parar. É o meu caso. Então me resta ir à frente da TV e fazer comentários de quem não entende, como 'o Kaká parece anêmico'. Por mim, eu continuaria trabalhando, mas o mundo discorda de mim", diz.

Existe solução pra essas pessoas além da exclusão social e do tédio?

domingo, 8 de junho de 2014

We are not one

Vocês, torcedores de futebol, nesta época de copa se tornam os mais absolutos privilegiados. Todas as atenções do Brasil se voltam a vocês. Quem não curte futebol é solenemente desprezado e tem que se virar para arrumar distração e companhia, já que a meta de todos é toda unificada para o show da bola rolante. 

Quem não curte futebol é totalmente excluído da condição de ser brasileiro, pois ao assumir a aversão ao famoso esporte transformado em dever cívico e social, vira um desertor, como se quisesse prejudicar o bem estar daqueles que apreciam o esporte (uma ofensiva falácia, bem preconceituosa).

Torcedores, vocês sempre que são criticados, clamam por respeito. E pedem como se vocês é que fossem os excluídos. Sinceramente, creio que posso humilhá-los  a vontade, já que para vocês, torcedores, sempre virá alguém com poder, seja políticos, empresários e celebridades, para lhes defender. Posso chamar vocês de alienados, ignorantes ou até xingações piores, pois um grandão aparecerá imediatamente para defendê-los de seu direito de ser coletivamente hipnotizado.

Eu e muitos que preferem passar longe do futebol, não têm a mesma sorte. Além de desprezados, deserdados, não existe uma só lei que nos garanta o direito à diversão em épocas de copa. nenhuma autoridade se dispôs a oferecer diversão alternativa para os que não curtem futebol. Se existem dicas em revistas, sires de como se divertir com o futebol, não há uma só dica para os que não curtem o superestimado evento. Se houvesse, seria "se virem!", numa verdadeira atitude preconceituosa que coloca os não-torcedores como se fossem sub-humanos.

Torcedores, com absoluta certeza, vocês estão tranquilos, com o direito garantido de atrapalharem o sossego alheio em prol de algo que não lhes renderá benefício. Como um cara pacato, gosto de sossego, algo que me é tirado em épocas de copa. Além de não ter distração digna, ainda tenho que aguentar a gritaria alheia, o que na minha opinião é o verdadeiro motivo para o futebol ser tão popular.

Desejo que torçam com alegria e satisfação, já que vocês não vão ceder a nada mesmo. Em copa, futebol é prioridade absoluta e se não é possível o bem estar real da qualidade de vida, coloquem vocês, com ajuda da mídia, de empresários e de políticos, a falsa alegria da abstrata conquista do futebol em seus sorrisos.

Eu, como não torcedor, sou o verdadeiro sofredor. Enquanto vocês vão tentar soltar adrenalina de forma forçada, a minha será solta naturalmente, pelas perdas dos direitos básicos que em tese me são garantidos, incluindo o de ser brasileiro, já que para a coletividade, ser "brasileiro" é torcer pela "seleção".

Mais uma copa se começa e o Brasil se encontra dividida entre os queridos torcedores, filhos favoritos da Mãe-Pátria e os filhos bastardos, desertores por se recusarem a aderir à brincadeira máxima de nossa sociedade.

Bom, eu e muitos não-torcedores (e são muitos, acreditem!) permaneceremos invisíveis durante um mês até que acabe com toda esta festança das 11 Cinderelas amareladas, transformando as carruagens da esperança futebolística em uma enorme e melequenta abóbora estragada, difícil de ser engolida.

Não somos um só coisa nenhuma. São muitos pra lá (do lado do futebol) e poucos pra cá. Dois lados muito bem divididos pelas regras sociais que impõem o lazer ludopédico. 

Que venha o circo dos horrores futebosteiros. Depois disso, quem viver, chorará. 

quinta-feira, 5 de junho de 2014

A incrível sorte dos jogadores de futebol

Realmente é incrível. Não há brasileiro que seja tão sortudo quanto os jogadores de futebol brasileiros. É impressionante a capacidade sem igual das coisas darem certo para os jogadores de futebol., Não acontece nada ruim com eles.

Mesmo quando as coisas parecem dar errado, tudo acaba bem para jogadores de futebol. Se o Neymar estiver andando em uma calçada e eu do outro lado da rua e uma pilastra começar a cair do lado dele, essa mesma pilastra vai se desviar e cair e cima de mim.

Mesmo quando cometem gafes, os jogadores rapidamente são perdoados. A escolaridade baixíssima e o péssimo nível cultural não os impede de serem formadores de opinião, sendo ouvidos pela população como se fossem "sábios". É muito mais fácil uma asneira dita por eles virar lei do que uma ideia coerente dita por um Zé Ninguém.

E nesta copa não está sendo diferente. Amados por todos, principalmente pelas mulheres (conhece algum jogador de futebol famoso que tenha dificuldade de conquistar alguma mulher? Eu não.), todos os olhos e ouvidos estão murados neles, que mesmo burros feito portas, irão espertamente se aproveitar dos momentos para se darem bem e acumularem cada veza mais sorte que os fará vencedores não apenas dentro de campo, mas principalmente fora dele.

Afinal, nada melhor do que ter quase uma população inteira de um país como admirador nada secreto. Nada consegue dar errado com os homens mais amados do país.

sábado, 24 de maio de 2014

Petistas querem a unanimidade do futebol de volta

Sites que defendem os petistas e o governo estão publicando postagens e mais postagens em apologia à copa e ao futebol. Já era observado nos sites ditos "progressistas" (mas que defendem um Brasil retrógrado) um certo apreço pelo futebol, já que é coerente com o projeto de Brasil medíocre que os petistas querem.

Dois motivos fazem com que os petistas queiram muito que esta copa ocorra: primeiro, dá oportunidade de visibilidade para os petistas, ou seja, fazer algo visível para que os governantes do partido tenham mais fama e poder através de um evento que todos possam perceber a sua ocorrência. Segundo, futebol é esporte de pobre e é muito mais fácil agradar a pobretada com um "show de bola" do que distribuir renda e tirá-los de uma condição que deveria ser provisória. Enganar a população carente com espetáculos de luz e cores é mais fácil e muito mais sedutor.

Mas mesmo sem copa, noto um excessivo proselitismo pró-futebol por parte dos petistas e simpatizantes. É triste saber que nem mesmo um partido que se diz "progressista" está disposto a romper com o monopólio de lazer que o futebol representa, o que sugere que no setor de lazer esportivo, a democracia ainda não chegou para nós. 

Democracia? Aonde? Pessoas que assumem não curtir futebol se sentem mais abandonadas nesta época do ano, pois autoridades, publicitários e grandes empresários sempre preferiram acreditar que brasileiros e torcedores são sinônimos. O resto que se vire para se divertir.

Monopolizar o futebol nada tem de progresso. Muito pelo contrário, representa um retrocesso inquestionável. Mas aí vão dizer: "mas o futebol nos simboliza", "o futebol é a nossa identidade". O samba também é a nossa identidade e não vejo monopólio do samba no meio musical. Porque o futebol tem que ser monopolizado?

Claro que agora, os petistas vão defender esta copa até o fim. Eles estão puxando a brasa para a sua sardinha, já que eles são os anfitriões. E vão também defender a unanimidade do futebol, já que eles querem que TODO MUNDO VÁ. Até porque, mais gente, mais dinheiro e mais visibilidade.

Só que os petistas estão colocando suas cabeças na guilhotina ao se proporem priorizar uma forma de lazer, lançando mão de um festival de mentiras para justificar a sua realização. Resta saber que tipo de país teremos após o encerramento desta copa. Mesmo que a "seleção" ganhe o campeonato (para a alegria de petistas e de alienados), com absoluta certeza sabemos que Brasil, o país, vai perder feio diante dos outros países. 

A realidade é sempre mais feia, cruel e dolorosa que a fantasia. Quem viver, chorará.

segunda-feira, 19 de maio de 2014

Torcedores morrem de medo de serem criticados

Os torcedores de futebol sempre reagem de forma incômoda quando são criticados pelo seu exagerado fanatismo. Sabem muito bem que curtem algo supérfluo como se fosse necessário, como se fosse algo sério, importante como um assunto de segurança nacional. Mas se sentem bem em agir desta forma, pois colocar "seriedade" no futebol lhes dá maior prazer em seu hobby esportivo.

Mesmo sabendo que o que eles fazem é exagerado, pelo fato do futebol ser considerado uma regra social em nosso país, como uma forma de confraternizar brasileiros completamente diferentes, as críticas metem medo por sinalizarem ameaça de exclusão social. Quem gosta de futebol possui benefícios sociais que os não-torcedores não tem e perder isso não parece bom.

Criticados por terem como hobby favorito algo que é claramente ridículo, mas que é respaldado por quase toda a sociedade, além de celebridades, empresários poderosos e autoridades de governo, torcedores nunca reagem bem à essas críticas, preferindo devolvê-las acusando os não-torcedores de "anti-sociais".

E o que é mais engraçado que há uma inversão de papéis de vítima e algoz, já que os torcedores ao serem criticados, pedem 'respeito" pelo fato de gostarem de futebol. O mesmo respeito que eles se recusam a dar para que não curte futebol. O mesmo respeito que eles já recebem em franco excesso de autoridades, da mídia e de toda a sociedade. Pelo jeito eles não estão satisfeitos com o respeito que recebem de 99% da sociedade. Querem mais. Querem o respeito de 100%.

Chega a ser trágica e cômica essa reação dos torcedores, pois eles agem como se fosse uma minoria a ser excluída, o que está em oposição ao que se observa de fato. Pedem o respeito que já possuem, querem os direitos que já possuem, querem não apenas o direito de gostar de futebol, mas que esse mesmo gosto seja compartilhado por todos.

O que lhes incomoda na verdade é saber que o futebol não é mais uma unanimidade que sempre acreditaram ser. Só o fato de conhecer uma única pessoa a tentar desvincular o futebol do mito de "dever cívico" que ainda é arraigado em nossa sociedade, lhes dá revolta, já que esse mesmo mito é que faz com que o futebol seja mais "emocionante".

Só mesmo em uma sociedade com a brasileira que uma simples forma de lazer rudimentar cause tanto barulho, tanto do lado dos quem a amam, quanto do lado de quem as despreza. E é muito barulho por nada. Uma polêmica tola que desvia o foco de discussões mais amadurecidas.

terça-feira, 6 de maio de 2014

Contrato se cumpre com rigor

Todo mundo sabe que o grande protagonista desta próxima copa será o Neymar, tido pelos ingênuos como "herói máximo da nação". Toda a imagem dele está sendo construída para ele ser uma espécie de "redentor", um semi-deus a guiar os rumos da nação. Há inclusive quem acredite que se a "seleção" ganhar a copa, evitará o país de entrar nesta crise. Algo que o bom senso e a lógica diz ser impossível, pois futebol é só lazer, uma brincadeirinha, que no Brasil é levada muito a sério.

E como "herói máximo da nação", Neymar deve ter uma "primeira dama". Não qualquer uma, mas uma que tenha aceitação maciça da população e que não possui uma reputação capaz de ser rejeitada. Embora combine mais com estas siliconadas que só abrem a boca para falar besteira, Neymar teria a sua imagem manchada se unisse as suas "almas gêmeas". Portanto, seus assessores trataram de escolher alguém que tivesse as seguintes características:

- Ter imagem de boa moça de família;
- Mas que também tivesse uma beleza capaz de enlouquecer os torcedores masculinos;
- Que fosse uma estrela em ascensão.

Com base nesses critérios, a escolhida foi Bruna Marquezine. Depois do anunciado fim do namoro da bela e talentosa atriz com o songamonga com cérebro de pudim, foi revelado agora que os dois continuam, sim namorando. Os assessores do fútil (fútil-bol?) e inútil (para a nação) jogador logo se apressaram em tentar manter o namoro pelo menos até terminar a copa para que o "maior herói da humanidade brasileira" pudesse ter uma princesa encantada ao seu lado quando segurar a tão comprada (sim comprada - no país do jeitinho, tudo se dá jeito) taça. 

Os dois estão se encontrando às escondidas e isso vai ser muito bom profissionalmente para ambos. Afetivamente não pois os dois não se combinam de jeito nenhum. São até opostos (a bela e a fera?). A copa servirá de consagração para o alienado mais famosos do Brasil e a atriz deve contabilizar uma boa parte dessa consagração. 

Um recadinho para a Bruna Marquezine: porque não conversa com a Sthefany Britto sobre a "maravilhosa" experiência de namorar um jogador de futebol? Ela lhe poderá dar boas dicas de como lidar com um verdadeiro banana (socorro, Daniel Alves!), como o superestimado jogador, o super poderoso herói dos alienados. Que obviamente não salvará seus súditos da mesmice.

Tudo para cumprir rigorosamente os contratos que a FIFA e a CBF estabeleceram com patrocinadores e investidores. Pois (muito) dinheiro é o que interessa, o resto não tem pressa.

domingo, 4 de maio de 2014

Novelas não vão ignorar futebol durante a copa

Como dona da CBF e principal beneficiada com os lucros de todas as copas, a Rede Globo sempre se esforça para que o fanatismo futebolístico se mantenha em alta. Por isso mesmo a ordem é colocar futebol em toda a sua programação, nem que seja apenas uma citaçãozinha e desprezar completamente qualquer telespectador que não curta a modalidade esportiva.

Por isso mesmo a ordem é mencionar o futebol em todas as suas novelas para que o telespectador continue atribuindo ao fato de gostar de futebol um senso postiço de humanidade e orgulho "cívico", como se gostar de futebol fosse em si um sinal de simpatia e de amor ao próximo. O que a lógica e o bom senso provam de maneira inquestionável que NÃO é verdade.

Tão cedo não vamos ver o futebol senso tratado como mera forma de lazer. Para muitos ele ainda será o nosso maior motivo de orgulho e estopim para atos insanos de devoção fanática e de alienação que consegue travar qualquer cérebro pensante. Uma verdadeira razão que, ao invés de nos orgulhar, deveria nos envergonhar, pois somos motivos de piada por achar que futebol é mais importante que tudo. Inclusive de coisas mais importantes, como a nossa própria sobrevivência.

Mesmo com o aumento da quantidade de pessoas que se assumem desprezar o futebol e da intensa campanha pelo fim do fanatismo no futebol, os cães de guarda da CBF estão sempre a postos para que o futebol continue sendo essa obrigação social que faz com que todos, obrigatoriamente gastem muito dinheiro, enriquecendo cartolas, patrocinadores e qualquer um que dependa do futebol para ganhar muito, mas muito dinheiro.

sexta-feira, 2 de maio de 2014

Vitória na copa de 1994 nada teve a ver com a morte de Senna

A mídia, sobretudo a Rede Globo, sempre arruma um jeito de mostrar o futebol como se ele fosse muito melhor do que ele é. para isso muita pompa, valores positivos e até uma boa dose de ativismo, são embutidos como próteses para que a magia do futebol-civismo seja mantida, para que os lucros vindos através do futebol sejam garantidos.

A emissora lançou, em sua chamada para uma homenagem pela lembrança dos 20 anos de morte do corredor de Fórmula 1, Ayrton Senna, uma teoria conspiratória que soa muito agradável para quem é fanático pelo futebol. Usando a ex-atleta e jornalista Glenda Kozlowski como porta-voz, a cúpula da emissora lançou a alucinada tese de que a vitória da "seleção" na copa de 1994 foi inspirada no sucesso de Senna, além de ser uma forma de homenageá-lo. 

Defensores do futebol costumam ser excessivamente delirantes, mas desta vez a Globo extrapolou. Dois fatos completamente diferentes, ocorridos no mesmo ano senso ligados artificialmente, para promover ainda mais o futebol. Em ano de copa, como este que estamos, é ótimo forçar a barra, pois futebol é a mais valiosa galinha dos ovos de ouro e quanto mais gente gostando dele, mais gente vai dar o seu dinheirinho suado por ele.

Nada disso. A vitória de 1994, que não foi fraudulenta como a de 2002, nada tinha a ver com Ayrton Senna. Forçar a barra para que alienados e analfabetos jogadores de futebol sejam vistos como ativistas, como fizeram este ano com Daniel Alves, é um cacoete muito cometido pela mídia, que faz de tudo para que o futebol não seja visto como uma forma de lazer e sim como o nosso maior motivo de orgulho. 

E dizer que alienados que não costumam gostar de automobilismo (este sim, um esporte sem analfabetos) são "ativistas sociais", fazendo da vitória banal uma homenagem a alguém que vários deles não admiravam é realmente sonhar muito alto. Mais delirante que isso, só se fazer isso chapado.

Senna morreu no dia 1º de maio de 1994 , esbarrando em uma mureta durante o treino para o Grande Prêmio de Ímola. A "seleção" venceu a copa no mesmo ano, na copa que aconteceu nos EUA, país que despreza o mesmo futebol que a maioria adora, mas gosta que o nosso povo fique distraído pelo mesmo, pois assim o Brasil não se evolui, deixando de ser uma ameaça a soberania dos ianques.

Sinceramente, Rede Globo! Que mania você e as outras emissoras forçarem a barra para transformar futebol em "conscientização social". Os burros, que gostam de serem tratados como sábios e rebeldes sem serem de fato (para ser exige esforço e abnegação), agradecem a bajulação.

quarta-feira, 30 de abril de 2014

Uma banana para o futebol

O caso em que o jogador Daniel Alves, um brasileiro que joga lá fora, come uma banana jogada por um torcedor num ato que sugere racismo deu início a uma maciça campanha estranha em que várias celebridades apareceram comendo bananas. Uma atitude que pareceu muito mais um modismo do que uma campanha séria contra o racismo.

Antes de mais nada, somos totalmente contra o racismo. Mais até do que qualquer pessoa. Quem leu livros sobre o surgimento do racismo sabe que o racismo é muito mais cruel do que qualquer um pode imaginar e sinal evidente de falta de respeito pelo ser humano. Racismo é sinal de ignorância e desrespeito e deveria ter sido banido há muito tempo.

Mas usar campanhas anti-racismo desta forma me pareceu mais uma apologia ao futebol, se aproveitando da proximidade da copa. O futebol, para os brasileiros é superestimado, sendo tratado não apenas como uma forma de diversão, mas como motivo de orgulho e dever cívico/social. 

É fato que as mesmas celebridades que apareceram para supostamente apoiar o ato do jogador, já praticaram ou praticam alguma outra forma de preconceito em seus cotidianos ou já foram vistos em algum ato anti-ético que anula qualquer participação em campanhas que deveriam ser humanistas como essa. O que na verdade soa como uma mistura de vontade de aparecer, adesão a um modismo e propaganda gratuita do futebol. 

Se o que aconteceu com Daniel tivesse acontecido com outra pessoa, teria tido muito menos repercussão. Se fosse com um intelectual, seria solenemente ignorado. mas foi um jogador de futebol e esse detalhe foi mais do que crucial para que ganhasse a repercussão.

Ainda espero uma campanha realmente séria contra o racismo. Além de toda a palhaçada de puxar o saco de um jogador de futebol por causa desse preconceito realmente reprovável, o ato ainda serviu de preconceito contra a banana, alimento essencialmente nutritivo, prático e muito saboroso e que não deveria ser considerado "comida de macaco", já que por suas características, é uma fruta indispensável para a saúde humana, sobretudo para quem deseja uma perfeita circulação sanguínea.

Foi na verdade tudo uma palhaçada que com absoluta certeza, não vai servir para acabar com o racismo. pelo contrário: os racistas devem estar rindo pois a atitude das celebridades (muitas comprovadamente cabeças ocas) foi claramente ridícula. Uma verdadeira palhaçada que mais pareceu uma propaganda da copa do futebol e um ato de rejeição à banana, do que a solidariedade a uma vítima de racismo, seja qual for o prestígio social que possuísse.

Somos todos macacos? Claro que não. macacos reagiria a isso com muito mais seriedade e inteligência. Erramos a espécie animal: somos todos burros mesmo. Uns verdadeiros bananas.

E uma banana para essas celebridades bananas.

sábado, 26 de abril de 2014

Promoção sugere que ingressos podem não estar sendo vendidos

Uma estranha promoção feita em conjunto por um shopping do Rio e a Coca-Cola pode sugerir que estão sendo vendidos muito menos ingressos que o esperado. A promoção dá 2 ingressos a qualquer um que comprar produtos da marca e trocar tampinhas, selos ou notas de compra em postos autorizados dentro do tal shopping.

Uma estranha promoção que dará de graça ingressos que normalmente custam uma fortuna, sem sorteio, sem concursos, sem qualquer tipo de obstáculo. Comprou, levou. Lembrando que uma garrafinha da Coca pequena custa apenas cerca de 2 reais, o que já permite a aquisição dos tais ingressos. Bem baratinho, não?

Tudo indica que esta copa será um imenso fracasso. Esta promoção só demonstra a necessidade desesperada de lotar as arquibancadas para que o mundo não veja os estádios vazios durante os jogos. Manobra similar foi feita na África do Sul, cuja população não se interessa por futebol.

Certamente, a partir de Agosto, esta será uma experiência que o Brasil não vai querer se lembrar. Mesmo que a "seleção" vença (e deve vencer, mesmo desonestamente, como foi em 2002), Brasil, o país, já sofreu desde já a sua maior derrota. Maior e de sequelas irreversíveis. É aguardar para ver e contar os mortos, feridos e desabrigados.

Jornal Nacional vira piada com matéria que ensina a gritar 'gol' na Copa

Na verdade, o ideal mesmo seria não gritar. Os gritos é que incomodam os que procuram o sossego do descanso em suas casas. Que tal ensinar a NÃO GRITAR durante os jogos de futebol? Os vizinhos não-torcedores agradeceriam.

Extraído do blog Pragmatismo Político

Uma reportagem de gosto duvidoso no “Jornal Nacional” desta segunda fez com que o principal telejornal da TV Globo virasse alvo dos internautas. Basicamente, a matéria levada ao ar tinha por objetivo, pasmem, “ensinar” como o torcedor deveria fazer para gritar gol corretamente na Copa.
“Com a proximidade da Copa, os fonoaudiólogos recomendam: o torcedor precisa se preparar para o grito de gol”, disse Heraldo Pereira, substituto de William Bonner, ao chamar a reportagem de Monalisa Perrone.

“Sabiam que tem segredinhos e até jeito certo de gritar?”, perguntou a repórter da Globo, seguida de imagem de uma fonoaudióloga “treinando” uma mulher em um restaurante.
“Fono sabe gritar”, disse Monalisa, entusiasmada com a “aula” da profissional, que complementou: “com técnica.”

“Que tal gritar direitinho?”, a repórter quis saber da “aluna” da fonoaudióloga da matéria. “Bem melhor do que gritar erradinho”, respondeu a mulher.

“Gritou, bebe um golinho de água, economiza um pouquinho a voz e se ficar rouco observar a duração dessa rouquidão”, ensinou, mais uma vez, a fono.

Pois a “aula” definitivamente não caiu no gosto de vários internautas, que passaram a criticar a reportagem nas redes sociais. “JN fornecendo informação de desnecessidade pública com essa história do grito de gol”, escreveu um deles.

“Tá faltando matéria no feriadão pra ficar ensinando os telespectadores como gritar GOL rs JN”, disparou outro.

Veja, a seguir, outros exemplos da indignação dos telespectadores com a pauta escolhida para entrar na edição do telejornal da Globo:
“Como gritar gol sem ficar rouco … JN inútil”
“Jeito certo pra gritar GOL???? Vsf –JN”
“É o fim do jornalismo: JN faz reportagem com dicas de fonoaudiólogos de como gritar melhor “Gol” na Copa. Vão sifudê, antes que me esqueça.”
“HAHAHAHAHA, té parece que na hora do gol do Brasil a pessoa vai lembrar das “técnicas do grito”. #JN”

“Parabéns: inventaram regra até para gritar gol de forma correta… JN”

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Preconceito: esta é a palavra

Numa sociedade em que futebol é tratado como obrigação, quem não sente um apreço pelo famoso esporte acaba tendo que sofrer bastante, pois nunca é compreendido, já que para quase todos, o futebol deveria ser uma unanimidade.

Quem assume publicamente que não gosta de futebol é vítima de um preconceito real, cruel, mas invisível para a maioria. Até mesmo a mídia colabora, não para combater, mas por incrível que pareça, estimular ainda mais essa rejeição contra as pessoas que não gostam de futebol.

Quem não curte futebol é xingado, humilhado, desprezado, tratado no mínimo como antipático, pois se recusa a participar de um tipo de hobby considerado uma forma de confraternização social. E isso pode gerar não somente muitas brigas, mas também a exclusão definitiva do não-torcedor dos benefpícios da vida social, já que para muitos, é essencial ter um time na carteira de identidade para se tornar integrante da sociedade.

É preciso que algo seja feito contra esse preconceito, pois além do futebol ser apenas um lazer e como tal nunca deve ser obrigatório, não há lei no Brasil que obrigue alguém a gostar de futebol. As pessoas que fazem esse tipo de cobrança desconhecem totalmente a legislação brasileira.

Não é preciso gostar de futebol para ser simpático e ter uma boa relação com as pessoas. É preciso uma diversidade de pensamentos e de hobbies para que as pessoas possam encontrar um ponto de afinidade que não seja o futebol. Duas pessoas que divergem em relação a futebol, podem se afinar quando o assunto é outro. Porque então estipular o futebol como condição sine qua non para a vida social?

Vamos acabar com o preconceito, admitindo e respeitando a existência de pessoas indispostas a gostar de futebol. Se futebol não dá prazer e até incomoda, para quê aderir? Só para se considerar "humano?

Pedimos para que jogadores, mídia e autoridades entrem em uma campanha pelo respeito às pessoas que não curtem futebol. É um direito nosso estarmos alheios a esse esporte e isso deve ser respeitado.

quarta-feira, 9 de abril de 2014

O fanatismo do futebol é nocivo. Por isso temos que evitar o fanatismo anti-futebol, igualmente nocivo



A melhor maneira de combater uma ideia errada é usando o raciocínio. Pensar nos dá a possibilidade de argumentarmos, mostrando provas de que quem está errado, cometeu um erro. 

Além disso, nunca devemos nos igualar a quem errou, agindo da mesma forma. Isso nos tira o direito de contestar, além de enfraquecer nossa contestação, fortalecendo quem errou a continuar defendendo o seu erro.

O que noto é que boa parte das pessoas que contestam o fanatismo futebolístico, agem de forma raivosa, irracional e puramente debochada. Raramente vejo textos lógicos e inteligentes que contestam o fanatismo tão estimulado pela mídia (que sabe muito bem que fanáticos sempre pagam para ter o produto relacionado com seu objeto de fanatismo). O ideal é que tivessem muito mais blogues anti-futebol, ao invés de incomodados ficarem reclamando pelas costas.

Gostaria que as pessoas avessas ao futebol escrevesse mais, fossem mais coerentes e equilibrados para que pudessem ser ouvidos e acabar de vez com a secular, mas absurda ideia de que o futebol é patriotismo. Quem é racional sabe muito bem que somente uma sociedade ao mesmo tempo carente e de educação ruim é capaz de aceitar que uma forma supérflua de lazer seja o seu maior símbolo de orgulho e de devoção às coisas de nosso país. Um grave erro que merecia ser combatido com lógica e não com deboche.

Claro que devemos respeitar quem curte futebol. Acima de tudo é uma forma de lazer. O que poderemos fazer mesmo é educar os torcedores para que estes percebam que a sua forma favorita de lazer nunca deve substituir ao amor por si mesmo e pelas pessoas que vivem no país. E dizer a eles de forma equilibrada, racional e convincente. Se usarmos o deboche, não seremos compreendidos e a ilusão do futebol-pátria permanecerá.

Espero que possamos ser mais racionais em nossas críticas ao fanatismo alienante do futebol. Se os torcedores estão realmente errados em gritar insanamente, em levar a sério demais uma forma supérflua de lazer, digamos isso a eles de forma educada e lógica. 

Não sejamos como eles, que a cada entrada da bola em uma rede, solta o troglodita adormecido dentro de si. Vamos provar que somos realmente racionais, para que os nossos argumentos ganhem força e possamos mesmo mudar os costumes sociais para que nos tornemos cada vez mais civilizados. Pois do jeito que está, com críticas debochadas e raivosas, tudo continuará na mesma, com alces humanos iludidos berrando "goool" em nossos educados ouvidos.

Afinal, esse fanatismo anti-futebol nos faz tão iguais ao fanatismo pró-futebol, o que anula qualquer argumento que vá contra a enxurrada pró-futebol que recebemos diariamente ao nosso redor.

sexta-feira, 28 de fevereiro de 2014

Publicitários e empresários de Neymar tentam convencer Bruna Marquezine a voltar para o jogador

Para uma sociedade que superestima o futebol a ponto de confundi-lo com dever cívico, o seu maior "herói" deve ter a sua "primeira-dama". Toda a mídia - que tem o péssimo hábito de superestimar a vida privada das celebridades - sabe disso e os plantonistas já correm apressados com o intuito de reconstruir o casal "Neymarquezine" em tempo para a copa.

Empresários do jogador e publicitários, sobretudo os que representam os patrocinadores da "seleção", já atuam nos bastidores para tentar convencer Marquezine a voltar para o espevitado jogador. 

Entendem os poderosos por trás do jogador que Marquezine tem as características ideais de uma musa com 100% de aceitação popular para fazer o papel de "primeira-dama" do "aior motivo de orgulho da população brasileira". Afinal, um "herói" solitário pegaria muito mal, tanto quanto vê-lo relacionando com alguma musa com algum índice de rejeição (como as mulheres que Neymar escolhe por conta própria para se divertir).

Mas pode ser que as negociações fracassem, pois Marquezine já demostra interesse por um ator, colega de elenco. Mas a pressão para que ela volte é tanta que já estão inventando que a iniciativa de voltar seria dela. Como se Neymar, um bronco feioso e farrista, sem instrução e de baixo nível intelectual, tivesse qualidades para ser um príncipe encantado e marido perfeito.

Muita água ainda está para rolar. Mas como a mídia futebolística sempre dá um jeitinho para que o futebol brasileiro e tudo que está relacionado com ele estejam em alta, é provável que o casal volte a se unir. Nem que dure apenas até o final da copa, só para promover o superestimado gaiato.

quinta-feira, 27 de fevereiro de 2014

Mídia e sociedade carioca usam fatos desagradáveis para promover futebol


Um setor em que a democracia ainda não chegou ao nosso país é o do lazer esportivo. O futebol, desde os anos 50 e sem interrupções ainda é difundido como dever cívico e obrigação social. No Rio de Janeiro, isso é levado às últimas consequências, causando preconceito contra quem não curte futebol e usando fatos desagradáveis para estimular o fanatismo futebolístico.

Dois episódios ocorridos no Rio de Janeiro, um sobre um assassinato outro sobre um engano danoso, usaram o futebol para despertar simpatia e comoção, como se gostar de futebol fosse uma prova de bondade, simpatia e bom convívio social.

Futebol como sinal de bom mocismo

A morte do cinegrafista da TV Bandeirantes, Santiago Andrade, por um rojão e a prisão por engano do ator e agora psicólogo Vinicius Romão, ambos fatos desagradáveis, fizeram com que a mídia usasse o gosto deles pelo futebol como propaganda pró-futebol. Algo oportuno em ano de copa.

Tudo bem se havia a preferência de ambos pelo futebol, embora reconheça que a maioria dos cariocas adere ao futebol muito mais pela aceitação social do que pelo prazer pela modalidade esportiva. Mas não precisava a mídia ter dado essa ênfase a preferência deles. Soou claramente uma propaganda pró-futebol. Só não percebeu quem é alienado.

Imagine. Porque não enfatizar o gosto musical de cada um? Ou culinário? Outros tipos de preferência? Se, por exemplo, um cara gostar de Raul Seixas? Mas gostar de Raul Seixas e de churrasco, por exemplo, não são estigmatizados como dever social. Não é sinal de simpatia nem prova de que alguém - supostamente- sabe viver em sociedade.

Por isso há a necessidade de enfatizar o gosto pelo futebol. Como no Rio de Janeiro, gostar de futebol é sinal (falso) de simpatia, a ênfase foi dada para que Santiago e Vinicius, envolvidos em situações em que poderiam ser confundidos como algozes, fossem considerados "homens de bem". 

Preconceito grave contra quem não curte futebol

Gostar de futebol é sinônimo de "homem de bem"?  Então tá. Bandido não curte futebol. Isso é uma acusação grave contra quem não curte futebol. Porque não fotografam Fernandinho Beira Mar com a camisa de seu time favorito? Pensam que ele não gosta de futebol? Hmmm, que engano...

Os cariocas precisam parar de condicionar amizades e bom convívio social a futebol. Isso é uma prova de que os cariocas andam muito ignorantes ultimamente. Futebol é apenas uma forma de lazer e como tal, nunca deve ser obrigatório. Lazer foi feito para dar prazer e se alguém não obtém prazer em uma atividade, certamente não deveria perder seu tempo com ela.

Foi desnecessário associar os casos de Santiago e de Vinicius a futebol. Desviou o foco, além de perpetuar o futebol como obrigação social. Sei que é essa transformação em dever cívico-social que garante os lucros de quem é envolvido diretamente ou não com o futebol. Todos sabem que quando algo é obrigatório, as pessoas fazem de tudo para pagar por ele.

Mas é mais do que na hora de entendermos que uma forma de lazer nunca pode ser considerada condição sine qua non para o convívio entre as pessoas. Se gostar de um time diferente (e não do Flamengo como os dos exemplos aqui citados) é considerado um direito de cada um, não gostar de futebol também é um direito a ser igualmente respeitado.

Além de que usar dois fatos desagradáveis para fazer propaganda de um time de futebol é de uma crueldade sem tamanho. Tão cruel quanto acusar aqueles que não gostam de futebol de "mau caráter".

quarta-feira, 19 de fevereiro de 2014

Pra bobagem sempre se dá um jeitinho

A FIFA acaba de anunciar que Curitiba não foi excluída das cidades que sediarão jogos da copa. Apesar de bastante atrasado em sua construção, autoridades locais garantem que o estádio da capital paranaense estará pronto em maio.

Claro que para isso, os cidadãos curitibanos terão que se sacrificar se quiser que o maior evento de seu lazerzinho favorito possa ser realizado em sua cidade. A educação, normalmente cortada de qualquer orçamento em épocas comuns, vai ficar totalmente zerada de investimentos neste ano. Mas isso para os curitibanos - ou para qualquer brasileiro - isso não importa, já que muitos acreditam que esporte educa.

As outras prioridades que garantiriam a qualidade de vida terão suas verbas bem reduzidas. A mobilidade urbana deverá ser poupada desse redução, já que virou carro-chefe nessa maquiagem para enganar os - parcos - turistas que vem aqui se enganar com futebol. A capital do BRT não poderia deixar a sua galinha dos ovos de ouro ficar sem investimentos. Ainda mais que está sendo exportada pelo país inteiro, enganando principalmente busólogos que se contentam com ônibus grande, possante e bonito.

As autoridades fazem questão da realização da copa, já que além de render muito dinheiro, trará um - falso - prestígio mundial às mesmas autoridades, que esperam ganhar fama internacional com o evento.

E o povo? O povo que se dane. Toma o circo do futebol para calar a sua boquinha, permitida apenas para ser aberta durante a gritaria nos momentos dos gols.

sexta-feira, 14 de fevereiro de 2014

Acabou a farsa: Neymar e Marquezine não são mais um casal

Perdeu, Lelek, perdeu! Neymar, o rei absoluto dos Lelekes, teve o seu continho de fadas de araque finalmente encerrado: a gostosa da Bruna Marquezine está soltinha, soltinha.

O namoro dos dois que surgiu mais para promoção de ambos do que para troca de afetos, já não começou de forma normal, dando a entender que Marquezine foi "escolhida" pelos empresários do jogador para interpretar o papel de "primeira dama" da copa. Mas com o fim do namoro, os planos dos agentes do jogador foram por água abaixo.

Marquezine acabou perdendo oportunidades publicitárias com o fim do namoro, o que denuncia o verdadeiro motivo da existência do relacionamento com o jogador. A atriz havia conseguido o papel de protagonista da principal novela da Globo por causa do namoro, embora ela fosse de fato uma atriz talentosa, conduzindo muito bem o papel.

Resta saber quem será a nova escolhida para o papel de "primeira dama do futebol brasileiro", uma espécie de "Irina Shayk" ou "Victoria Beckham" tupiniquim, já que em tempos de copa, um "herói" solitário ia pegar muito mal para uma sociedade que gosta de ver seus ídolos muito bem acompanhados.

Após fim de namoro com Neymar, Bruna Marquezine perde contrato publicitário

OBS: Embora a distância seja uma desculpa para o fim, estava na cara que o namoro era de fachada, para alavancar as carreiras do jogador e da atriz, ambos em ascensão. Marquezine inclusive ganhou o papel de protagonista graças a esse namoro e havia intenções da mídia de capitalizar o suposto namoro entre os dois, levando em conta que a copa irá começar no Dia Nacional dos Namorados (o Dia Internacional dos Namorados, curiosamente é hoje, quando esta postagem está sendo publicada).

Agora a mídia está em polvorosa tentando achar alguém com aceitação popular incondicional que possa fazer o papel de "primeira dama" do futebol brasileiro, já que um "herói"  sem sua mocinha soa muito estranho em uma sociedade que dá muita importância a vida afetiva de suas celebridades favoritas.

Após fim de namoro com Neymar, Bruna Marquezine perde contrato publicitário

Equipe do portal R7

O término do namoro de Bruna Marquezine e Neymar rendeu à atriz o fim do contrato com uma operadora de celular. Segundo o jornal Extra, a empresa decidiu não renovar com a gata teen após os constantes rumores de que o romance dos dois teria terminado.

Neymar, que é contratado da operadora há um bom tempo, mantém o vínculo com a empresa. Ainda de acordo com a publicação, Neymar e Bruna Marquezine não poderiam anunciar oficialmente o término enquanto a propaganda estivesse no ar.

A operadora, porém, não confirma as informações oficialmente.

Apesar de ter perdido este contrato, Bruna Marquezine continua em alta por sua atuação na novela Em Família (Globo). O desempenho da atriz como Helena e Luiza chama atenção e rende inúmeros elogios a ela, considerada uma das melhores de sua geração.

Nesta terça (11), a assessoria de imprensa da atriz confirmou que ela e Neymar não estão mais juntos, já que o romance não resistiu à distância. Bruna, inclusive, apagou todas as fotos ao lado do jogador de seu perfil no Instagram.

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2014

Postagens anti-futebol no Facebook fazem publicitários moderarem em propagandas futebolísticas

Nos anos das copas anteriores, era muito comum nos primeiros seis meses a TV ser invadida por uma avalanche de propagandas onde o futebol era o principal assunto, mesmo que o produto a ser vendido nada tenha a ver com a famosa modalidade esportiva. Era um pesadelo ligar a TV para quem não curte futebol: uma overdose de irritar o mais tranquilo dos monges.

Mas este ano, nota-se que o intervalo televisivo se tornou mais equilibrado. Ainda há propagandas que mencionam o futebol, de maneira bem fanática e persuasiva. Mas elas se tornaram minoria nos intervalos. Os publicitários preferiram moderar na persuasão futebolística dos anos de copa. O que houve para que os publicitários freassem na sua capacidade de alienar a população?

Quem não usa internet deve ter estranhado, pois desconhece o possível motivo que fez com que as propagandas pró-copa se minguassem. Mas quem usa internet, sobretudo quem lê blogues e frequenta redes sociais, percebeu o motivo dessa contenção publicitária.

A internet se mostrou o único meio de comunicação realmente democrático que existe. Aqui, pessoas como eu e você podem escrever sobre o que pensa, sem esperar que aquele jornalista ou celebridade fale a ideia que só você defende, algo que na verdade nunca acontece, principalmente na TV aberta.

E é justamente na internet que estão aparecendo debates e textos que tentam devolver o caráter puramente lúdico ao futebol, difundido na grande mídia durante muitas décadas como se fosse um dever cívico, algo que nada tem a ver com a modalidade esportiva.

A publicidade sempre defendeu esse ponto de vista equivocado por acreditar que transformando em "dever cívico", estariam obrigando a população a comprar os produtos relacionados com o futebol, transformando a modalidade em fonte garantida de lucro. Uma grande galinha dos ovos de ouro cuja importância deveria, segundo os publicitários, ser aumentada sem qualquer tipo  de limitação.

Mas o plano deles caiu por terra, graças a descoberta de que o Brasil, além de possuir uma grande número de pessoas que não curtem futebol, esse número cresce cada vez mais, para a surpresa dos que dependem dos lucros futebolísticos.

E a campanha doentia que tenta insistir com a associação entre futebol e patriotismo, parece repelir cada vez mais as pessoas, pois além da associação entre uma forma de lazer e civismo ser evidentemente ridícula, toda a campanha feita para promover essa associação é ainda mais patética e surreal, transformando meros divertidores em "heróis da pátria". Como se a vitória da "seleção" pudesse trazer dignidade para o país (o que fatos reais provam justamente ser o oposto).

Com medo de estar se agarrando a algo claramente ridículo, os publicitários optaram por moderar suas propagandas pró-copa.  Ainda não há campanha pedindo respeito a quem não curte futebol. Mas só em eliminar a avalanche chata das propagandas futebolísticas já é um bom avanço. Sinal de que o Brasil demonstra sinais de que um dia irá acordar.
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